quarta-feira, 7 de julho de 2010

Perdemos a Copa? O Brasil (se) perde todo dia...

Em tempos de Copa do Mundo, é tempo de esquecer todo o sofrimento do povo. Afinal, é a nossa Seleção pentacampeã mundial que está em campo, pronta para tentar mais um título e dar alegrias ao povo. E daí se tem gente que não tem o que comer todos os dias, ou que a saúde, educação e outros bens essenciais para a população está em frangalhos? É hora de esquecer tudo isso e tomar várias caixas de cerveja, comer churrasco e faltar trabalho por "irresponsabilidade". É hora de comprar bandeirinhas, enfeitar casas, ruas, esquinas, comprar nossos adereços e cornetinhas para cada gol, vibrar. E o resto, que vá tudo para o inferno, como dizia Roberto Carlos.

Nosso patriotismo é algo impressionante. Não pelo fato de sermos apaixonados pelo nosso país (isso é RARO), mas sim porque só demonstramos isso em épocas específicas, ou então de grandes eventos, como a própria Copa do Mundo ou então as Olimpíadas. Rara é a cena de alguém vestindo algo que lembre nosso país, ou algum local enfeitado com as nossas cores. Será que o Brasil não merece atenção especial todos os dias? Todos os dias, somos derrotados. Perdemos com políticos corruptos, com golpes do Capitalismo contra a população (será esses eventos alguma jogada do Capitalismo? Pense bem...), nossos direitos essenciais jogados ao vento, a população sendo tratada como bicho, sem ao menos tentar se defender... Enfim, quem vê tudo isso pode abrir a boca e dizer: "Ah, por tudo isso que eu não tenho motivo para ser patriota". Quem diz isso, não é patriota, mas sim, IDIOTA. Sim, afinal, por todos esses motivos é que nós temos que fortalecer nosso patriotismo. Demonstrar nosso amor à nossa Pátria mãe gentil não é só vestir a camisa a do Brasil e beber cerveja na hora do jogo, mas sim, se engajar na luta contra toda a podridão que toma conta do nosso país.

Outra coisa que é importante ressaltar: Quem se demonstra patriota mesmo, tem o DEVER de conscientizar quem é "patriota". Claro, pois uma coisa é fato no Brasil, que é a "analfabetização" política da população, que faz com que todos se achem incapazes de lutar por seus direitos, seja por um posto de saúde com serviços de qualidade, uma educação digna ao nosso povo ou mesmo por uma chance de viver com a mínima dignidade possível no nosso país. Teoricamente, esse é um dever dos nossos políticos, que são "patriotas". Entretanto, não é interessante para eles um povo com amor à Pátria, mas sim um povo "tapado". Então, cabe aos mais conscientes esse papel, e ABOLIR com o que podemos chamar de "patriotismo burro".

Portanto, é necessário pensar: O Brasil perdeu na Copa, ou ele perde todos os dias? Quem souber responder essa pergunta, já é um grande passo para ser um patriota inteligente.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pensando a esquerda...

Muito se discute sobre o que é a esquerda no Brasil, seja ela em todos as classes (trabalhadora, estudantil, etc). E muitas análises são feitas, se ela está em ascenção ou decadência. Então,se faz necessário pensar um pouco o que o movimento esquerdista foi e o que ele é atualmente no Brasil.

Uma análise bastante comum, feitas por alguns camaradas de determinadas tendências esquerdistas é a de que o Movimento de Esquerda está em crescimento, pois ele acreditam que, com a crise da Zona do Euro (coia bem recente mesmo), estão estourando levantes da classe trabalhadora em alguns países. Greves gerais estão acontecendo, pessoas paralisando nações. sim, isto é fato. Entretanto, será que esta análise diz toda a realidade? Será que a população dos países que estão em crise entende que toda a realidade que eles estão passando é por conta do modelo de sociedade vigente no mundo, que é o Capitalismo, ou é porque eles não querem perder seus salários, não querem ter prejuízos pessoais dentro de suas casas? A análise que outras tendências de esquerda fazem é a de que ainda não há a consciência da base de que o sistema vigente é o responsável por todas essas crises e, consequentemente, das mazelas sociais que grande parte da população mundial sofre.

Outro ponto que se discute: Que crise que se passa dentro do movimento esquerdista hoje? Será que a crise é de direção ou de base? Quem dará os rumos de uma futura revolução? Isso se merece fazer uma análise bem sucinta, a partir do que já foi dito anteriormente. Primeiramente, quem pode dizer com propriedade sobre as mazelas sociais provocada pelo Capitalismo? Direção ou base? Creio que seja a base, afinal, é uma realidade que caminha junto com a população. Não tem como escapar disso. Vemos isso desde quando se sai para comprar pão em uma padaria na esquina, ou quando saímos por dentro da cidade. Não tem como não ver a realidade crual que o Capitalismo mantém. Outro ponto: Como a direção dará rumos para a base, se ela mesma não têm consciência da sua realidade (por mais que ela veja isso diariamente)? Será que não deveria haver o trabalho nesta base, para fazê-la ver que essa realidade não pode ser encarada como normal, e de que é necessário que haja sim uma mudança desse sistema que procura sempre dividir a população em classes, com discrepâncias absurdas? Então, se faz necessário um esclarecimento para o povo, sendo que esse trabalho não é feito da noite para o dia. Não tão fácil quanto fazer um café. Entretanto, é a estratégia mais coerente diante da atual conjuntura, mostrando que é necessário uma organização coletiva, para poder quebrar com esse sistema.

Sendo assim, essas análises precisam ser feitas entre os próprios camaradas que militam dentro da Esquerda. Se um dia chegar o momento em que a união das tendências de esquerda ocorrerá, então, certamente, haverá sim a tão esperada revolução.

terça-feira, 11 de maio de 2010

UEPa: Um "escolão".

O sonho de grande parte dos jovens que têm acesso à esducação (independetemente de ser pública ou privada), sonham em entrar dentro de uma Universidade. Entretanto, esse sonho não é acessível à todos que querem, mas sim, infelizmente, para os que podem, por conta de governantes que transformam o direito à educação de qualidade em mercadoria.

Aos que conseguem esse acesso, entram dentro de uma Universidade pensando que tudo muda. E realmente, muita coisa muda mesmo, principalmente para quem sai de uma escola privada para uma Universidade Pública. Mas no caso da UEPa, não é muita coisa que muda. A começar pelas mentalidades e pelos valores que são trazidos dessas escolas e que muita gente faz questão de manter dentro da UEPa: completo desinteresse pelas causas sociais (luta trabalhista, problemas da sociedade em si que afetam em sua vida acadêmica, falta de materiais, dentre outros). Essa política de despolitização faz com que muitos estudantes não enxerguem que muita coisa dentro da UEPa está errada.

Primeiramente, a falta de estrutura básica que se deve ter dentro de uma Universidade, como salas de aula suficientes, materiais multimídia e até mesmo, canetas para escrever nos quadros, são notoriamente vistos e, por conta desse desinteresse dos estudantes para os problemas enfrentados por eles, encaram isso como algo normal, o que é absurdo. Se a população brasileira tem o direito garantido constitucionalmente de ter uma educação pública, gratuita e de qualidade, o governo deveria oferecer o mínimo de infra-estrutura para que isso ocorra.

Outro problema sério enfrentado pelos estudantes (e que também é encarado como 'normal'), é o total desrespeito dos funcionários para com os interesses ou mesmo necessidades dos estudantes. Afinal, é inadmissível que os interesses estudantis sejam atropelados por qualquer motivo. O descaso é tanto que é comum alguns estudantes serem taxados como "chatos" por reclamarem do que está errado, e estes acabam por serem boicotados covardemente pelos nossos administradores.

O que se deve fazer para mudar esse quadro? É papel dos CA's da Universidade estarem engajados na luta pelo interesse dos ESTUDANTES, sem se vender covardemente para os que não têm interesse pela nossa causa. E não é apenas de ir brigar por um espaço ou por material, mas sim de mudar toda a mentalidade de "ensino médio" que muitos estudantes possuem mesmo dentro da Universidade. Só assim, poderemos dizer que a UEPa é uma Universidade de verdade.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Jubileu de Prata dos cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UEPA: Algo a comemorar?

Chegamos a mais uma comemoração, a mais um ato festivo na Universidade do Estado do Pará. Neste mês, os cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional comemoram seus 25 anos de existência no norte do país. Pioneira na implementação destes cursos, a UEPA deve realmente comemorar seu feito. Mas será que a atual realidade destes cursos corresponde a toda força que seus pioneiros realizaram para que seus sonhos se transformassem em realidade? Será que os estudantes destes cursos estão recebendo uma educação que esteja à altura da comemoração de tal evento?



As condições que a educação brasileira tem apresentado configuram-na de forma precária. Passamos por um período em que a educação tem tomado pouca importância, tanto para os governos federal e estadual, quanto para as prefeituras. Isso pode ser percebido pela pouca e defasada estrutura das escolas, salários vergonhosos dos professores, material didático que não atendem às demandas estudantis, ausência de profissionais capacitados nos atendimentos nas escolas, além da ausência de uma permanente capacitação para os profissionais que já atuam na rede pública de ensino.

Esta lógica se dá a nível nacional, com raras exceções.



E na Universidade pública brasileira a realidade não é diferente. Percebe-se o total descaso com a estrutura física, falta de docentes, pouco material didático, pouco comprometimento das administrações superiores para com os estudantes, etc. E isso tem se agravado com a implementação de políticas educacionais do governo federal, como o REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) e demais cortes de verbas que deveriam subsidiar as universidades (como ocorrido recentemente o Governo do Estado).



Na UEPA não sofremos com o REUNI. Porém, a realidade não tem sido diferente de outros locais, onde sentimos na pele o que é ser estudante da Universidade pública. São muitas as dificuldades enfrentadas, por exemplo, pelos estudantes de Fisioterapia e Terapia Ocupacional:



a) Estrutura física: percebemos que ainda persiste a problemática da falta de salas de aula. Temos presenciado turmas tendo aula no hall da cantina do campus II por não ter sala de aula suficiente para atender o número de turmas existentes. Sabemos que isso se deve a uma priorização de cursos em detrimento de outros. Mas o argumento não deve ser esse, deve-se, na verdade, é garantir estrutura de qualidade para todos.



b) Quadro de professores: ainda sofremos (e muito!) com o quadro de professores reduzidos nestes cursos. Além disso, poucos são aqueles que possuem alguma pedagogia que propicie a aplicação de um conhecimento qualificado. É necessário entender que os docentes devem ter capacitação contínua para a formação de futuros profissionais socialmente responsáveis e realizar imediatamente concurso público para admissão de novos docentes.



c) Ensino: a formação nos cursos da saúde, de modo geral, por mais que tenham passado por reformulações, ainda possui um direcionamento positivista, voltado para a técnica da Ciência. Por mais que seja necessário (e isso não devemos negar), deve-se entender que esta não é a saída para a saúde pública no Estado. Devemos formar profissionais voltados à atenção comunitária, pautados nos princípios e diretrizes do SUS. É mais do que provado que o modelo hospitalocêntrico não resolve as principais mazelas de nossa sociedade. Dessa forma, precisamos de um ensino que esteja pautado nas reais necessidades da população e não nas demandas mercadológicas. E isso é dever da Universidade pública.



d) Pesquisa: a UEPA ainda é débil em produção de conhecimento. E isso não se deve à sua pouca idade, mas sim à falta de priorização no incentivo à pesquisa. Os cursos de saúde, em especial Terapia Ocupacional e Fisioterapia, devem produzir conhecimento para além do que já é produzido. Os estudantes necessitam de iniciação cientifica para aplicação de seus conhecimentos e geração de novos saberes. Ainda são poucas as bolsas de incentivo à pesquisa e devemos exigir mais, com um processo seletivo transparente, sem privilegiar alguns estudantes em detrimento de outros.



e) Extensão: é a aplicação do conhecimento produzido dentro da universidade na sociedade. Na UEPA, são poucos os editais para Extensão e, quando abertos, possuem tempo muito curto de abertura e são colocados em períodos não letivos (como ocorreu no ano de 2009). Devemos garantir mais bolsas de extensão, fazendo com que todos os interessados possam usufruir da experiência de construir e implementar um projeto de extensão. A UEPA ainda possui poucos projetos de extensão frente a número de estudantes que ela possui. Além disso, tais projetos devem estar pautados nas necessidades da população, tornando a UEPA um agente modificador da realidade.



f) Biblioteca: sabemos que houve um grande avanço no acervo bibliográfico. Mas o estudante ainda sente necessidades quanto ao número de exemplares, por exemplo, e até mesmo na renovação destes, muitas vezes defasados e precários (faltando folhas nos livros). Devemos fazer com que a biblioteca do campus II atenda às demandas dos cursos que ali se encontram, propiciando um acervo qualificado e com um bom número de exemplares.



g) Centros Acadêmicos: são entidades representativas dos estudantes que servem para defender e expandir os direitos destes. Há muito tempo CAFISIO e CATO são desrespeitados neste centro, poucas vezes são ouvidos pela administração e, para fazerem valer sua representação, por vezes são obrigados a tomarem medidas mais incisivas e garantir sua participação (como ocorreu no ato comemorativo do jubileu de prata, onde se queria retirar as falas de CAFISIO e CATO). Ainda assim, estes centros acadêmicos têm mostrado sua importância e respaldo.



Os problemas são muitos ainda a serem elencados (laboratórios, cantina, falta do restaurante universitário, falta de uma política de permanência estudantil, laboratório de informática, etc), e muitas vezes nos faz parecer pequenos. Porém, devemos entender que também é responsabilidade nossa fazer com que a UEPA seja referência para a sociedade paraense. E o passo inicial é nos organizarmos nos centros acadêmicos que são legítimos instrumentos dos estudantes, aglutinando e fazendo com que este paute demandas da realidade do curso e da Universidade.



A comemoração deve ser feita. E de forma alguma devemos deixá-la de fazer. Entretanto, devemos olhar para o nosso passado, comparando com o presente e fazendo apontamentos assertivos para o futuro, para que daqui a mais 25 anos não olhemos para o passado percebendo que os problemas continuam sendo os de 25 anos atrás.



Bruno Jáy Mercês de Lima
Coordenador Geral DCE UEPA
Coletivo Romper o Dia!
Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem - ENEEnf

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sobre as vinculações políticas...

Hoje estive conversando com um amigo meu, que faz jornalismo. Adoro conversar com ele, temos muitas idéias em comum, e algumas se complementam, o que torna o debate das conversas bem produtivas. Dentro dessas conversas, ele tocou em um assunto que é bem debatido, sobre a vinculação política de determinados meios de comunicação.

Teoricamente, todo instrumento de comunicação (rádio, imprensa ou televisão) deve ser desvinculado de qualquer tendência política. Mas seguindo um breve histórico, observamos que, na prática, é completamente ao contrário. É histórico o uso dos meios de comunicação pelos governos para poder disseminar suas filosofias (leia-se: vírus ideológico). Exemplos disso: governo Vargas, onde ele utilizava o rádio da época e as músicas para sua propaganda e sua filosofia, a partir disso, seu governo perdurou durante 15 anos ininterruptos; outros exemplos são os governos socialistas, onde espalhavam suas idéias e alienando a população. Esses exemplos deixam claro que, apesar da teoria dizer o contrário, a vinculação acaba existindo, inibindo qualquer possibilidade de neutralidade de opinião.

E o que acontece atualmente é o vínculo da imprensa local com a política e, em especial, com as famílias (leia-se: elite local) que possuem mais "poder" dentro do Estado: os Maiorana e os Barbalho. Fica uma briga de crianças por um doce, que apesar de ter caído no chão, estar todo sujo, ainda sim brigam. Então, quem dança nisso é o povo. Afinal, eles são o doce que é puxado de um lado para o outro, e ninguém se importa. Afinal, massa de manobra é o que eles procuram mesmo. É interessante para eles uma população com informações manipuladas, sem formar opiniões diferentes das que eles pregam. E ninguém aparece para tentar quebrar esse monopólio. Os que aparecem, não recebem incentivo, o que torna a disseminação de informações úteis mais difícil. E, como sempre, nós pagamos o pato.

O que nos resta mesmo é tentar enxergar nossa realidade de uma maneira só nossa. Tentar evitar a opinião dos dominantes é necessário. Tentar garimpar o que nos é interessante também é importante. É nossa única solução, enquanto não aparecer um "salvador da pátria".

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mudar o que?

Lembro perfeitamente da época em que entrei no CAFISIO, na área de assuntos estudantis. Confesso que "caí de pára-quedas" lá, afinal, eu não entendia nada de Movimento Estudantil e, vergonhosamente, confesso que era mais um "pelego". Mas o tempo mostra os caminhos por onde devemos seguir, e indica as pessoas a serem escutadas.

Sempre deixei claro minha aversão aos partidos políticos, em especial nas políticas universitárias. E na discussão de Universidade, todos acusam todos de infiltrar estes, prejudicando de alguma maneira o andamendo acadêmico. Enfim, sempre alguém bate a mão no peito e diz ser a "solução" dos problemas da nossa Universidade. Este ano em especial na UEPa, houve a quebra de um monopólio que se estabeleceu durante anos, em que a UJS (União da Juventude Socialista, atrelada ao Governo petista) foi protagonista de uma total descerebração da multidão acadêmica. Desde então, vários coletivos entraram em uma luta quase que desleal contra eles, por toda uma questão de poder (por ser atrelada ao governo, a UJS tinha maiores chances de se perpetuar). No entanto, mudou. A eleição do DCE da UEPa terminou com a ditadura UJSista, fazendo com que entrasse novos grupos: CONLUTE (atrelada ao PSTU), e Romper o Dia! (alguns atrelados ao PSOL). Pensou-se que tudo mudaria.

Infelizmente, velhos paradigmas continuaram dentro da nossa Universidade. Os partidos continuam a comandar as ações da Universidade, o que não respeita a autonomia que os estudantes têm de seguir as ideologias que quiserem. O grupo majoritário do DCE-UEPa (CONLUTE), acabou por manter esse paradigma, onde apenas as vontades do partido se sobrepõem as dos estudantes. Afinal, eles falam que todos os estudantes decidiram por construir uma nova entidade estudantil, que seria a ANEL, a partir de um Congresso (Congresso Nacional de Estudantes, realizado na UFRJ), que se sobrepôs à demanda local, que seria o Congresso de Estudantes da UEPa. Apesar de não ter ido, em momento algum eu observei um empenho tão grande quanto foi para construir o CNE que, certamente, foi grandioso demais, em detrimento à demanda local. Dá para perceber que não foi construído visando apenas os estudantes, mas sim, visando a consolidação de interesses terceiros.

Enfim, pode ser que eu possa estar falando algum absurdo. Todavia, não dá para engolir que sempre interesses alheios acabem por ofuscar nossas necessidades, enquanto estudantes da UEPa. Até que acabe a ladainha de se apresentarem de algum partido, para depois se identificar como aluno que quer mudar a realidade, continuarems a nos perguntar: "Mudar o que?"

domingo, 20 de setembro de 2009

Sobre as campanhas solid(ot)árias...

Criança Esperança, Pestalozzi de São Paulo... São tantas as campanhas de solidariedade que parece responsabilidade exclusiva nossa sustentar os mais necessitados, ou seja, o governo isenta-se de sua responsabilidade de gestor humano do país por conta da nossa solidariedade. Entretanto, será que essas campanhas são para ajudar mesmo, ou são para nos culpar por todas as mazelas sociais do país, enquanto uns poucos se aproveitam do dinheiro que doamos?

Até outro dia, estávamos vivendo a campanha do "Criança Esperança", onde o Brasil todo se mobiliza para "ajudar" as crianças do Brasil. "Ajudar", porque muita gente doa pela lavagem cerebral que fazem pela tv, na figura da Xuxa e do Didi (que se dizem humanitários e embaixadores da UNICEF), ou porque os seus artistas preferidos estão participando do show de horrores, com as bandas que fazem (leia-se: lavam) a cabeça do povo que, ingenuamente ou otariamente, dão dinheiro para a conta da UNICEF (que é o que falam)... Enfim, acabamos por jogar dinheiro fora, sabendo que já damos MUITO dinheiro para o governo tentar sanar os problemas sociais (que nunca são sanados, enfim).

É ridículo o que os chamados "poderosos" tentam fazer com o povo. Tentam jogar uma responsabilidade da qual não temos que assumir. Dizer que, se não doarmos, crianças morrerão de fome e deixarão de ter futuro, é o terrorismo psicológico mais ridículo que podemos ver. É a mesma coisa dizer que eu, você e os outros somos Presidentes da República. Se somos responsáveis por isso, para que então temos eleições a cada dois anos (alternando eleições municipais e nacionais)? É só para ter algo burocrático então? O povo está cansado de burocracia e de gente inútil nos governando. Tudo bem que é o povo mesmo que coloca as cobras no covil e, para o governo, é ótimo ter um curral de bois com viseira. É ilusão pensar que o governo quer investir em educação, que o dinheiro dessas campanhas de fachada são para a educação. Doe 7, 15 ou 30 reais, assim o Didi e a Xuxa vão agradecer e muito por pagar seus cachês.

Enfim, aos que querem mesmo ajudar aos mais necessitados, coloquem pessoas que realmente queiram melhorar nosso país. E aos que preferem não ver isso, continuem jogando dinheiro fora, circulando em seus currais e se condenando a serem eternos burros.